Written by Arian

Andorinha: a marca portuguesa que virou presença cotidiana na mesa brasileira

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Conheça a história do azeite Andorinha, marca portuguesa fundada em 1927, sua chegada ao Brasil, inovações, produção nacional e projetos com impacto social.

Azeite de raízes portuguesas

Quando a gente fala em azeite “de raízes portuguesas” no Brasil, a Andorinha aparece quase como um sobrenome. Não por acaso: a marca nasceu em 1927, em Alferrarede, um vilarejo ligado à cidade de Abrantes, em Portugal, criada pela família Simão com um objetivo bem claro — abastecer mercados internacionais onde havia forte presença de imigrantes portugueses. E, nesse caminho, o Brasil deixou de ser apenas um destino de exportação para se tornar o grande palco da marca ao longo do século.

A construção dessa presença passou, primeiro, por confiança e constância. A Andorinha se firmou como um azeite de perfil acessível, mas amparado por uma ideia poderosa: tradição não é só tempo de existência, é repetição bem-feita. A narrativa da marca — “há mais de 90 anos fazendo azeite de verdade” — conversa com essa memória de prateleira, de cozinha e de hábito: um azeite que muita gente aprendeu a usar antes mesmo de aprender a diferenciar frutado, amargor e picância.

O ponto de virada mais recente da história acontece em 2004, quando a marca é comprada pelo grupo Sovena. A partir daí, a Andorinha ganha um empurrão de escala e de engenharia de produto que o consumidor percebe sem precisar entender de olivicultura: surgem inovações que viraram assinatura, como o bico dosador (que evolui para o famoso mecanismo “vai-e-vem”, premiado por design de embalagem) e a embalagem em spray, pensada para praticidade e finalização — dois jeitos diferentes de colocar azeite no dia a dia.

Por trás dessas soluções de prateleira, existe um argumento técnico que a Sovena reforça como diferencial: ter olival próprio e lagar moderno, o que permite controlar etapas decisivas — da matéria-prima ao tempo de processamento — e, com isso, manter padrão. A marca também se apoia na ideia de seleção de variedades e de colheitas em diferentes pontos de maturação, estratégia clássica para construir perfis sensoriais distintos (mais verdes e intensos em um caso, mais maduros e suaves em outro), além de linhas com proposta específica, como orgânicos e edições “especiais”.

Nos últimos anos, a Andorinha também procurou falar a língua do Brasil de forma mais direta. Um marco dessa aproximação é o lançamento, em 2019, de um azeite 100% produzido no Brasil, usando matéria-prima nacional do Rio Grande do Sul — um gesto simbólico para uma marca historicamente portuguesa, mas com coração comercial brasileiro. Em paralelo, a marca investiu em projetos e linhas que ampliam o repertório: colaborações com chefs (como a linha Criações do Brasil, de 2018) e iniciativas com componente social, como o Projeto Revoa, que se apresenta como um extra virgem “com propósito”, com lucro destinado a apoiar negócios sociais no Nordeste.

A lista de prêmios ajuda a entender como a marca buscou legitimação também fora do varejo. Entre os destaques, aparecem reconhecimentos de design de embalagem e, no campo sensorial, conquistas em competições internacionais — como o Mario Solinas (Conselho Oleícola Internacional), além de medalhas em concursos como Monde Selection, Terraolivo e NYIOOC para linhas específicas como Vintage e Orgânico. No fim, isso compõe uma trajetória dupla: a de um azeite popular, de presença massiva, e a de uma empresa que tenta sustentar essa popularidade com sinais de qualidade e inovação.

Linha do tempo do azeite Andorinha

  • 1927 — Fundação da marca pela família Simão, em Alferrarede (Abrantes, Portugal).
  • 2004 — Aquisição pela Sovena e modernização da marca.
  • 2009–2013 — Consolidação da fase de inovação (mecanismos de dosagem e formato spray).
  • 2018 — Linha “Criações do Brasil” com chefs brasileiros.
  • 2019 — Azeite Andorinha com produção 100% brasileira (matéria-prima do RS).
  • 2021–2023 — Fortalecimento de projetos com viés social (Projeto Revoa) e atualizações de rótulo/posicionamento.

No Mapa do Azeite, a história da Andorinha interessa por um motivo simples: ela mostra como uma marca pode atravessar quase um século equilibrando três coisas difíceis de manter juntas — tradição, escala e capacidade de se reinventar. E, no Brasil, onde o consumo de azeite cresceu junto com a curiosidade do público, a Andorinha segue como um desses nomes que muita gente reconhece de longe — e que, ao mesmo tempo, ajuda a puxar a conversa para mais perto: da garrafa para o olival, do hábito para a origem.

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